sexta-feira, 21 de março de 2008

A Aquarela e a Arte Contemporânea



" O método da aquarela, técnica bastante antiga, foi utilizado por artistas flamencos e amplamente empregada em Florença e Venez
É com Alberto Dürer que a aquarela ganha importância, além de provar que
pode resistir ao tempo. Dürer nos deixou pelo menos 120 obras
que permaneceram intactas e com o mesmo frescor de uma pintura recente.

Em 1550, um artista de nome Johon White participa de expedição
registrando a vida, o ambiente e os costumes do Novo Mundo, vindo a ser considerado por historiadores como o pai da aquarela.


Foi somente no século XVIII, no entanto, que a técnica passou a ser considerada como um método autônomo e independente, difundida em toda a Europa e reconhecida como a "Arte Inglesa". Nesse momento, surgem nomes como Alexander Cozens, o poeta pintor William Blake, John S. Cotman, Peter de Wint, e John Constable.

William Turner foi quem melhor soube explorar suas possibilidades,
produzindo 19.000 aquarelas, ganhando o título de maior aquarelista de todos os tempos.

Turner teria influenciado os pintores impressionistas, mas ouso afirmar

que a Aquarela exerceu tamanha influência sobre Turner, que passou a experimentar na pintura a óleo as mesmas possibilidades cromáticas, através de camadas bastante delgadas e sobrepostas e com muita luminosidade.


Um texto escrito por William Blake, que descreve essa pintura em aquarela
como "visões etéreas, produzidas com vapor de tinta...". Essa era uma postura acadêmica, que defendia a pintura em "plena pasta", ou seja, a pintura a óleo deveria ser aplicada em camadas espessas, obedecendo a procedimentos técnicos defendidos pelas academias de Belas-Artes da época.



Wassily Kandinsky dizia que a aquarela é a "técnica experimental por excelência", e muita gente desconhece que a primeira obra abstrata da história é uma aquarela – assim como ignoram que as obras mais representativas de Kandinsky e Paul Klee foram realizadas através da aquarela.

Apreciada por alguns, desprezada por outros e incompreendida pela maioria, o certo é que a Aquarela deve ser defendida por suas qualidades intrínsecas, como uma técnica em si mesma.
Eleita entre todas a mais bela, a aquarela serve de inspiração ao poeta. Está presente na música, na literatura e no teatro como metáfora, portanto, próxima do ideal platônico e capaz de materializar valores simbólicos e espirituais como nenhum outro método consegue representar. "

Fonte: Luís Castanón, artista plástico e arte educador.






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